
ontem, caminhei com um grande homem...
hoje, eu caminho sozinho...
e amanha, amanha deixarei de caminhar
para que outros possam seguir o meu caminho
ontem, eu era um grão de pó, num mundo de gigantes
aprendi com os melhores e lutei com os mais ferozes
hoje, eu chorei, quando me vi, reflectido nas aguas deste rio
as marcas das batalhas estampadas na cara
e um olhar quase sem alma, ai eu percebi
o quão tenebroso o amanhã pode ser
o amor fizera a minha dor
pois quanto mais amai, mais chorei
contei os minutos para amanhã, sempre que anoitecia
para correr no prado mais uma vez
molhar os pés no rio ao amanhecer
e gritar do rochedo mais alto em direcção ao vale
meus medos, eu libertei
a raiva que senti ao ver o pecado do mundo
deixei-a sentada esperando por mim
numa pedra no fundo do lago
a inveja, eu nunca falei,
mas ao orgulho, sempre que pude, eu abracei
hoje, o agora bateu-me a porta
veio mostrar-me as fotografias que me tirou
como eu era pequeno, como se de um avatar sem expressão
no meio de um livro de paginas em branco
mas logo uma historia surgiu
foi a minha vida que dali sorriu para mim
fiquei estupefacto, meio envergonhado!
mas muito, muito admirado com o meu reflexo naquele espelho
espelho de agua feito de papel, cheio de palavras interpoladas
que muitas em mim, quase não me diziam nada
foi como uma revisão das pequenas historias
com grandes glorias, e algumas tristes derrotas
que fizeram deste momento eterno
permanecer na mente de um trovador
e mais não digo, para mais tarde
antes de dormir, ler mais um pouco
e saber mais da vida deste sonhador...