Dentro de mim


Sou escritor sem pena
Histórias ficam dentro de mim
Sou poeta sem amores
Por quantos foram que eu já me esqueci
Salteador ou trovador
Quantas conquistas através de derrotas
Por não as guardar dentro de mim

Promessas que se tornaram mentira
Contos e histórias inacabadas
Ate chegar aqui
Terei eu que voltar a traz
Reconstruir o que destrui
Acabar o que comecei
Para poder voltar
Para regressar aqui

Sou soldado sem fuzil
Numa guerra de pedras que teimam sempre a cair
Em cima de mim
Procuro um esconderijo, algo que me aqueça
Quando a noite está para vir
Sou colmeiro das minhas redes
Que pescam por arrasto
Arrasto o entulho de minha loucura
Eternamente e sem razão
Arrasto a tralha de minha amargura
Entranha e sem razão

Como eu era pequeno!


ontem, caminhei com um grande homem...
hoje, eu caminho sozinho...
e amanha, amanha deixarei de caminhar
para que outros possam seguir o meu caminho

ontem, eu era um grão de pó, num mundo de gigantes
aprendi com os melhores e lutei com os mais ferozes
hoje, eu chorei, quando me vi, reflectido nas aguas deste rio
as marcas das batalhas estampadas na cara
e um olhar quase sem alma, ai eu percebi
o quão tenebroso o amanhã pode ser

o amor fizera a minha dor
pois quanto mais amai, mais chorei
contei os minutos para amanhã, sempre que anoitecia
para correr no prado mais uma vez
molhar os pés no rio ao amanhecer
e gritar do rochedo mais alto em direcção ao vale

meus medos, eu libertei
a raiva que senti ao ver o pecado do mundo
deixei-a sentada esperando por mim
numa pedra no fundo do lago
a inveja, eu nunca falei,
mas ao orgulho, sempre que pude, eu abracei

hoje, o agora bateu-me a porta
veio mostrar-me as fotografias que me tirou
como eu era pequeno, como se de um avatar sem expressão
no meio de um livro de paginas em branco
mas logo uma historia surgiu
foi a minha vida que dali sorriu para mim

fiquei estupefacto, meio envergonhado!
mas muito, muito admirado com o meu reflexo naquele espelho
espelho de agua feito de papel, cheio de palavras interpoladas
que muitas em mim, quase não me diziam nada

foi como uma revisão das pequenas historias
com grandes glorias, e algumas tristes derrotas
que fizeram deste momento eterno
permanecer na mente de um trovador

e mais não digo, para mais tarde
antes de dormir, ler mais um pouco
e saber mais da vida deste sonhador...

Primario


Encontro-te deitado inerte,
Não fazes nada de bem que diga,
Não dizes nada, que me alegre,
Não mexas as patas, nem para te coçar
A preguiça é pecado capital

Já ouve alguém que te tivera dito?
És uma besta-quadrada
Estúpido de mais para ser ofendido
Mas tu nem ripostaste, de certo não percebeste
Nem sequer levaste a mal

Não ouves o que te dizem
Mas que estranha apatia, que focas o olhar nessa janela
Só engordas e não produzes
Vives na ilusão de que algo mais há-de vir
És odiundo, um símio Neandertal
Contradizes toda uma evolução milenar

O prazer de que se tem ao falar
Tu deitas por terra ao som do grunhido
Que te salta desse orifício bocal
Não mexas essas patas
Porque mãos têm os bodes
Que também falam a sua própria língua
Quando querem comunicar

E no que tocas, logo, logo, vira esterco
Que nem dá para fertilizar
Não levantes uma palha e não pares de ruminar
Porque o teu fim já todos sabem
Como qualquer outro dia que passas
Será de pernas para o ar

És ridículo, e fazes-me rir
E eu só te vejo a engordar
Por mais que te gabes do que não és
Eu só te ouso a relinchar
És o primata dos mais primários
E só mesmo um gorila para te ensinar
Que na vida o sol é de todos
E tu só nasceste para atrapalhar

Coisas


Há coisas e coisas
Há coisas que não se explicam
Há coisas que não se dizem
Há coisas que não se falam
Há coisas que não se vêem
Há coisas e coisas

Entre o céu e a terra, entre a espuma do mar
Entre o amar e calar, entre a bela e a fera
Entre a vida e os dias
Dias cheios de luz onde te cega o olhar
Onde a vida termina, onde o pecado era a cruz
É o inicio de uma nova era
Explicar para quê, dizer então
Não se fala nem ouve
A dor no coração, a dor no coração

Raras são as coisas que nos dão razão
Que nos pegam e confortam
Que nos dão a mão
Há coisas e coisas
Que não se explicam nem dizem
Que não falam nem se vêem
Estão connosco essas coisas
Dar-nos-ão vida ou sofrer
Mas não passam de coisas
Que iram sempre aparecer

Medo


Meu peito é a prova de bala
Minhas costas da mais forte couraça
Que nunca vergam por cada chicotada
Meus olhos já secaram as lágrimas
Meus ouvidos já não ouvem as gralhas
Que me doa a alma quando meu corpo já não sente
Num olhar em frente nesta ténue linha
Que separa a terra do tão já descrito e amado infinito

É o longe que esta tão perto de se poder tocar
Que não vale a pena esperar
Nem tocar ouvir ou falar
Que já não vale a pena sequer amar, amar por amar

Frio e seco é o sentido ao despertar
Que vai aquecendo e humedecendo
Ao longo do tempo, esse triste e velho senhor
Que não sabe parar, que não reflecte e não volta a traz
Não passa de um arrependimento
De uma angústia sem par
De um eterno tormento para quem o queira agarrar

São as horas que não param de contar
Que não param de gritar aos meus ouvidos
E como seu pai o velho tempo
Que conta sempre a mesma historia
Nunca se deixam agarrar

É dor, é força, é glória e queda
A minha ascensão ao poder
Para vir um triste e vil ser
Dar mais uma nas costas
Mais um tiro no peito
Cego de inveja, sedento de descarno
Distribuindo mais uma dentada
Por seu puro e belo prazer

E será por isto que quererei eu dar a vida
Por este primário que quero morrer
Certamente que não
Por alguém que ignora a dor que me provoca
Não na carne, não no peito
Mas na alma que se resume ao inicio
Arrefecendo em pedra de granizo
Esperando pelo fogo azul
Cuidando para não derreter

citando outros outores...


Vincent Malloy tem sete anos
Ele é sempre educado e faz o que ele dizem
Para um menino da sua idade, ele é atencioso e simpático
Mas ele quer ser como Vincent Price

Ele não se importa de viver com sua irmã, cão e gatos
Embora ele preferia partilhar a casa com aranhas e morcegos
Lá ele poderia refletir sobre os horrores que tinha inventado
E vagar corredores escuros, só e atormentado

Vincent é bom quando sua tia vem vê-lo
Mas imagina mergulhando-a em cera para o museu

Ele gosta de experimentar em seu cão Abercrombie
Na esperança de criar um zumbi horrível
Assim, ele e seu cachorro zumbi horrível
Podia ir procurar vítimas no nevoeiro de Londres

Seus pensamentos, porém, não são apenas de crimes macabros
Ele gosta de pintar e ler para passar alguns tempos
Enquanto outras crianças lêem livros como Go, Jane, Go!
Autor preferido de Vincent é Edgar Allen Poe

Uma noite, durante a leitura de um conto macabro
Ele leu uma passagem que fez empalidecer

Essa notícia horrível, ele não poderia sobreviver
Por sua bela esposa tinha sido enterrada viva!
Ele cavou a sua sepultura para se certificar de que ela estava morta
Sem saber que seu túmulo era a cama de sua mãe

Sua mãe mandou Vincent para o seu quarto
Ele sabia que ele tinha sido banido para a torre da perdição
Onde ele foi condenado a passar o resto de sua vida
Sozinho com o retrato de sua bela esposa

Embora sozinho e louco envolto em seu túmulo
Explosão de Vincent e a sua mãe entra de repente no quarto
Ela disse: "Se tu quiseres, podes sair e brincar
esta sol lá fora, e um dia lindo "

Vincent tentou falar, mas ele simplesmente não podia
Os anos de isolamento lhe tinha feito muito fraco
Então, ele pegou um papel e rabiscou com uma caneta:
"Estou possuído por esta casa, e nunca a vou pode deixár de novo"
Sua mãe disse: "tu não está possuído, e não estás quase morto
Esses jogos que tu joga é tudo na sua cabeça
tu não es Vincent Price, tu és Vincent Malloy
tu não está atormentado ou louco, tu és apenas um menino
tu tens sete anos de idade e és o meu filho
Eu quero que saias lá fora e teres algum divertimento real.

"Raiva, dela já passou, ela passeou pela sala
E enquanto Vincent backed lentamente passava contra a parede
O quarto começou a inchar, a tremer e ranger
Sua loucura horrível tinha atingido o seu poder

Ele viu Abercrombie, seu escravo zumbi
E ouviu a sua mulher a chamar de além-túmulo
Ela falou de seu caixão e fizeram exigências macabras
Enquanto que, através das paredes rachando, chegou a mãos de esqueleto

Todo o horror em sua vida que surgiu através de seus sonhos
Swept seu riso louco a gritos apavorados!
Para escapar da loucura, ele chegou à porta
Mas caiu flácido e sem vida no chão

Sua voz era suave e muito lenta
Como ele citou The Raven de Edgar Allen Poe:

", E minha alma do que a sombra
que está flutuando no chão
serão levantadas?
nunca mais ... "

O que tu és para mim (dedicado)




Poria falar-te da cor dos teus olhos
E dizer-te o que todos vêem
Galantear-te com doces palavras
E roubar-te a atenção por momentos
Um pouco, só para mim
Mas mesmo que fosse por bem querer
Não era justo prender-te assim

Tu és do mundo
E foi o mundo quem te fez assim
Não és coisa minha nem de outros
Não és algo com que se possa brincar
Tens o carácter no peito
E o saber no olhar

Eu já passei a fase de só te olhar
De te querer, de te admirar
Já ultrapassei barreiras e confusões
Para me sentir seguro de ti
Estive sempre só e sem te ter aqui
Já enlouqueci e sonhei por ti
Mas o que eu quero, nada mais
É ter-te aqui, ter-te por perto
Ao pé de mim

Neste mundo cinzento onde todos se cruzam
Ninguém para um minuto, ninguém olha para ti
Se eu tivesse tido um instante
Nem que fosse por um breve segundo
Eu dar-te-ia a entender, o que és tu para mim
O que eu vejo no fundo

Tu és do mundo e foi o mundo que te fez assim
Não és coisa minha nem de outro
Mas és algo que eu quero ter
Aqui ao pé de mim
Não és coisa minha nem de outro
Mas és alguém que eu quero ter
Bem perto de mim

Centauro


Essa autenticidade do sabor
De cavalgar numa besta em cascos de prata
Sobre a erva molhada em manhãs de orvalho
Libertar essa adrenalina que não te faz parar
Nem por um segundo, ate ao fim
Ate onde a visão se perde e confunde
E quer lá chegar

Esse cavalo majestoso que já faz parte de ti
Os dois tornam-se um, e tu
Um, eu, com cascos de prata,
Olham pelos mesmos olhos e vêem a mesma cor
Chamam por si pelo mesmo nome
Ser mítico de heróicas epopeias
Coragem emparedada no peito
Forjada em fogo de carácter
E respira a liberdade
Que conquistou no calor da batalha

A Minha Lisboa



Lisboa minha alma meu coração
Cidade de muitas paixões
Terra de muitos amores e alguns dissabores
Viste me homem a passar na rua
A subir e descer colinas
Escondeste-te de mim pela noite no bairro
Mas seduziste-me quando cantaste o fado
E isso há quem diga que é amor

Lisboa com esse cheiro a mar
Procuro-te por todo o lado
Onde quer que esteja, onde quer que vá
Nem que seja só por passar
Vejo-te velha nas ruas de alguém
Sinto-te forte na caravela de alem mar
Mas tenho-te em mim como mulher
Mãe, cidade minha, cidade de ninguém
És a mãe do novo mundo
Foi em ti que tudo começou
Abriste os braços e deixas-te partir teus filhos
Fizeste historia, e vives para a contar

Brincar com o fogo


Acabei de ser invadido
Sem me aperceber fui trespassado
Por este sopro no peito
Este calor no teu regaço
Não sei se é bom
Não sei se esta certo
Já não consigo pensar em mais nada

A culpa foi tua
Quem mandou ter-me amado
Pois quem brinca com o fogo
Acorda sempre queimado
Entraste com tudo
Sem pudor e sem perdão
Abriste a porta do meu peito
E arrancaste-me o coração

De certo que pensas saber muito
Mas há muito que te tento mostrar
A vida não é só fugas
Alguém um dia tinha de te apanhar
Mas a culpa, a culpa não é só tua
Pois também eu vou ter de a partilhar

Quem mandou
Quem deu a ordem para disparar
Simplesmente deixas-te esta bomba nas minhas mãos
E eu não consegui evitar

De novo, a culpa é tua
Quem mandou ter-me amado
Foste tu quem brincou com o fogo
Mas fui eu quem saiu queimado