trecho de "E Tu Onde Estiveste"... (ainda em gestação)

... paisagem urbana, longe do que alguma vez fui habituado
eu próprio a chamei...
... vim de uma vila no interior, com os seus rios e regatos, montes e florestas
prados e ruínas de casas antigas do inicio do século. não que aqui não as haja,
mas já foram alteradas
e em nada já se parecem com os gloriosos XIX ou XX, pouco soalhos e portadas de madeira
....
Os carros já não são puxados pelas bestas, as festas já não são em casa do conde ou barão cheias de requinte ou sedução, onde já não se usam os veludos, folhos ou cartola...
tudo tem de ser tão rápido para uma vida tão curta, e estamos no final da primeira década do novo século, do novo milénio, da nova era. A era das maquinas.
A minha vida girava em torno do meu mundinho
família, amigos, valores, trabalho, algumas festas
alguns desgostos. E tudo era poético.
....
Parece-me bem, sinto-me confortável com isso, sinto-me bem em saber de onde vim, em saber que não me perdi e que continuo a ser eu.
Não tenho cem anos, nem nada que se pareça, já completei um quarto desse caminho e mais um pouco mas ainda não me esqueci de como os meus sapatos novos se enchiam de pó na estrada de terra no caminho da escola para casa e de como é bom o cheiro a terra molhada no outono.
O mundo mudou
as batalhas estão cada vez mais injustas,
já não há lutas corpo a corpo, pois hoje ganha quem tiver mais poder de fogo
E tudo isto para quê?...
....

Sem comentários:

Enviar um comentário