
Vidas… que na roda da fortuna rodopiam
Em mesas de pedra e pau
Na gaiola do tempo sem as grades, aprisionadas
Sem tecto, sem limites nem barreiras
Onde só a pele o sente, onde nem o corpo mente
Quando a vida, essa doce melodia
Navega na espuma do mar na onda intermitente
Vidas… mil e umas primaveras
Por entre gerações e décadas crescente
Amores e viagens, risos e lágrimas
Por tantas e intemporais descobertas
São essas, as vidas, vidas de minha vida
Expressões, cantigas e conversas triviais
Por entre os olhos iluminados de quem me olha
Vejo a alma da vida que esta a minha frente
As carícias de quem me abraça, de quem me ama
Sinto a vida de quem se deita comigo na cama
Vidas… vidas de minha vida
São sabores e cheiros, imagens e sons
A descoberta do paladar de quando abri os olhos e a ouvi
Por um simples momento um murmúrio
Uma palavra, uma origem, numa ordem que quis falar
Quis saborear, olhar e vela esticar-me para a cheirar
Pela primeira vez na minha vida o meu desejo era tocar
Sentir e ver o que era aquilo a que eu chamava a minha vida
E sem perceber de certo permaneceria cego
Talvez nem nunca chegaria a descobrir
Que não se tratava apenas de uma
Mas sim uma de muitas, uma das minhas inúmeras vidas
Vidas… onde quis sentir e amar, libertar-me dos cordéis
Que me aprisionavam numa caixa negra e fria
Onde só me poderia mexer me dedilhassem os fiéis
Se só pela vontade de outro se tratasse, ai eu levantar me-ia
Só me mexeria como se de uma marioneta se trata-se
E ai, eu resgatei, gritei e puxei aquelas coradas
Onde todo o turbilhão das emoções foram reunidas
E assim eu resgatei, assim eu salvei
Uma das minhas muitas vidas
Sim, uma de muitas entre uma de todas
Porque são vidas, a minha e as que me rodeiam
São minhas e de quem por mim é amado
De quem por mim é desejado
Vidas… de quem por elas eu sou e sempre serei
Um eterno enamorado…
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