Medo

Meu peito é a prova de bala
Minhas costas da mais forte couraça
Que nunca vergam por cada chicotada
Meus olhos já secaram as lágrimas
Meus ouvidos já não ouvem as gralhas
Que me doa a alma quando meu corpo já não sente
Num olhar em frente nesta ténue linha
Que separa a terra do tão já descrito e amado infinito
É o longe que esta tão perto de se poder tocar
Que não vale a pena esperar
Nem tocar ouvir ou falar
Que já não vale a pena sequer amar, amar por amar
Frio e seco é o sentido ao despertar
Que vai aquecendo e humedecendo
Ao longo do tempo, esse triste e velho senhor
Que não sabe parar, que não reflecte e não volta a traz
Não passa de um arrependimento
De uma angústia sem par
De um eterno tormento para quem o queira agarrar
São as horas que não param de contar
Que não param de gritar aos meus ouvidos
E como seu pai o velho tempo
Que conta sempre a mesma historia
Nunca se deixam agarrar
É dor, é força, é glória e queda
A minha ascensão ao poder
Para vir um triste e vil ser
Dar mais uma nas costas
Mais um tiro no peito
Cego de inveja, sedento de descarno
Distribuindo mais uma dentada
Por seu puro e belo prazer
E será por isto que quererei eu dar a vida
Por este primário que quero morrer
Certamente que não
Por alguém que ignora a dor que me provoca
Não na carne, não no peito
Mas na alma que se resume ao inicio
Arrefecendo em pedra de granizo
Esperando pelo fogo azul
Cuidando para não derreter
citando outros outores...

Vincent Malloy tem sete anos
Ele é sempre educado e faz o que ele dizem
Para um menino da sua idade, ele é atencioso e simpático
Mas ele quer ser como Vincent Price
Ele não se importa de viver com sua irmã, cão e gatos
Embora ele preferia partilhar a casa com aranhas e morcegos
Lá ele poderia refletir sobre os horrores que tinha inventado
E vagar corredores escuros, só e atormentado
Vincent é bom quando sua tia vem vê-lo
Mas imagina mergulhando-a em cera para o museu
Ele gosta de experimentar em seu cão Abercrombie
Na esperança de criar um zumbi horrível
Assim, ele e seu cachorro zumbi horrível
Podia ir procurar vítimas no nevoeiro de Londres
Seus pensamentos, porém, não são apenas de crimes macabros
Ele gosta de pintar e ler para passar alguns tempos
Enquanto outras crianças lêem livros como Go, Jane, Go!
Autor preferido de Vincent é Edgar Allen Poe
Uma noite, durante a leitura de um conto macabro
Ele leu uma passagem que fez empalidecer
Essa notícia horrível, ele não poderia sobreviver
Por sua bela esposa tinha sido enterrada viva!
Ele cavou a sua sepultura para se certificar de que ela estava morta
Sem saber que seu túmulo era a cama de sua mãe
Sua mãe mandou Vincent para o seu quarto
Ele sabia que ele tinha sido banido para a torre da perdição
Onde ele foi condenado a passar o resto de sua vida
Sozinho com o retrato de sua bela esposa
Embora sozinho e louco envolto em seu túmulo
Explosão de Vincent e a sua mãe entra de repente no quarto
Ela disse: "Se tu quiseres, podes sair e brincar
esta sol lá fora, e um dia lindo "
Vincent tentou falar, mas ele simplesmente não podia
Os anos de isolamento lhe tinha feito muito fraco
Então, ele pegou um papel e rabiscou com uma caneta:
"Estou possuído por esta casa, e nunca a vou pode deixár de novo"
Sua mãe disse: "tu não está possuído, e não estás quase morto
Esses jogos que tu joga é tudo na sua cabeça
tu não es Vincent Price, tu és Vincent Malloy
tu não está atormentado ou louco, tu és apenas um menino
tu tens sete anos de idade e és o meu filho
Eu quero que saias lá fora e teres algum divertimento real.
"Raiva, dela já passou, ela passeou pela sala
E enquanto Vincent backed lentamente passava contra a parede
O quarto começou a inchar, a tremer e ranger
Sua loucura horrível tinha atingido o seu poder
Ele viu Abercrombie, seu escravo zumbi
E ouviu a sua mulher a chamar de além-túmulo
Ela falou de seu caixão e fizeram exigências macabras
Enquanto que, através das paredes rachando, chegou a mãos de esqueleto
Todo o horror em sua vida que surgiu através de seus sonhos
Swept seu riso louco a gritos apavorados!
Para escapar da loucura, ele chegou à porta
Mas caiu flácido e sem vida no chão
Sua voz era suave e muito lenta
Como ele citou The Raven de Edgar Allen Poe:
", E minha alma do que a sombra
que está flutuando no chão
serão levantadas?
nunca mais ... "
O que tu és para mim (dedicado)

Poria falar-te da cor dos teus olhos
E dizer-te o que todos vêem
Galantear-te com doces palavras
E roubar-te a atenção por momentos
Um pouco, só para mim
Mas mesmo que fosse por bem querer
Não era justo prender-te assim
Tu és do mundo
E foi o mundo quem te fez assim
Não és coisa minha nem de outros
Não és algo com que se possa brincar
Tens o carácter no peito
E o saber no olhar
Eu já passei a fase de só te olhar
De te querer, de te admirar
Já ultrapassei barreiras e confusões
Para me sentir seguro de ti
Estive sempre só e sem te ter aqui
Já enlouqueci e sonhei por ti
Mas o que eu quero, nada mais
É ter-te aqui, ter-te por perto
Ao pé de mim
Neste mundo cinzento onde todos se cruzam
Ninguém para um minuto, ninguém olha para ti
Se eu tivesse tido um instante
Nem que fosse por um breve segundo
Eu dar-te-ia a entender, o que és tu para mim
O que eu vejo no fundo
Tu és do mundo e foi o mundo que te fez assim
Não és coisa minha nem de outro
Mas és algo que eu quero ter
Aqui ao pé de mim
Não és coisa minha nem de outro
Mas és alguém que eu quero ter
Bem perto de mim
Centauro
Essa autenticidade do sabor
De cavalgar numa besta em cascos de prata
Sobre a erva molhada em manhãs de orvalho
Libertar essa adrenalina que não te faz parar
Nem por um segundo, ate ao fim
Ate onde a visão se perde e confunde
E quer lá chegar
Esse cavalo majestoso que já faz parte de ti
Os dois tornam-se um, e tu
Um, eu, com cascos de prata,
Olham pelos mesmos olhos e vêem a mesma cor
Chamam por si pelo mesmo nome
Ser mítico de heróicas epopeias
Coragem emparedada no peito
Forjada em fogo de carácter
E respira a liberdade
Que conquistou no calor da batalha
A Minha Lisboa

Lisboa minha alma meu coração
Cidade de muitas paixões
Terra de muitos amores e alguns dissabores
Viste me homem a passar na rua
A subir e descer colinas
Escondeste-te de mim pela noite no bairro
Mas seduziste-me quando cantaste o fado
E isso há quem diga que é amor
Lisboa com esse cheiro a mar
Procuro-te por todo o lado
Onde quer que esteja, onde quer que vá
Nem que seja só por passar
Vejo-te velha nas ruas de alguém
Sinto-te forte na caravela de alem mar
Mas tenho-te em mim como mulher
Mãe, cidade minha, cidade de ninguém
És a mãe do novo mundo
Foi em ti que tudo começou
Abriste os braços e deixas-te partir teus filhos
Fizeste historia, e vives para a contar
Brincar com o fogo

Acabei de ser invadido
Sem me aperceber fui trespassado
Por este sopro no peito
Este calor no teu regaço
Não sei se é bom
Não sei se esta certo
Já não consigo pensar em mais nada
A culpa foi tua
Quem mandou ter-me amado
Pois quem brinca com o fogo
Acorda sempre queimado
Entraste com tudo
Sem pudor e sem perdão
Abriste a porta do meu peito
E arrancaste-me o coração
De certo que pensas saber muito
Mas há muito que te tento mostrar
A vida não é só fugas
Alguém um dia tinha de te apanhar
Mas a culpa, a culpa não é só tua
Pois também eu vou ter de a partilhar
Quem mandou
Quem deu a ordem para disparar
Simplesmente deixas-te esta bomba nas minhas mãos
E eu não consegui evitar
De novo, a culpa é tua
Quem mandou ter-me amado
Foste tu quem brincou com o fogo
Mas fui eu quem saiu queimado
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